sexta-feira, 29 de abril de 2011

A Importância da Família Real

Sim, tem uma importância
Trazer alguma infância
Pra resistente família
Dá tão velha monarquia
Depois da morte da filha

Ver como cada se vestiu
A carruagem que partiu
Ver o que só dois ou um viu:
A rainha se repetiu

A multidão seguiu fora
Cada música da hora
Por toda festa afora

Depois de tantas belezas
O sacristão deu estrelas

Mas problemas 'inda temos

quarta-feira, 27 de abril de 2011

600 Toneladas Cadentes

São 600
toneladas
que deslizam,
paralisam,
e entopem...

Todos fogem.
Nenhum vai vir
a redigir
tal passado...

Ou futuro,
já qu'eu e tu
não vemos crus...

Mas BBB
nada sofrer,...

 Isso vemos.

terça-feira, 26 de abril de 2011

João do Norte

João do Norte é forte:
Sabe cair, sabe seerguer.
Com o seu porte e sorte
Em cascatas vai se perder

Pode acordar com medo
De uma nova buzina

Pode ficar preso vendo
Numa janela de cima
Em um ônibus ilhado

Pode não ter um transporte
E ter de passar a nado,
Sem haver qualquer suporte,
Pode só se ter frustrado
E temendo sua morte...

Por águas 'inda é levado.





A cada João do Norte de uma cidade embaixo d'água.

domingo, 24 de abril de 2011

Homem da Lei, Grande Alegria

Deixou-nos o homem da lei
Depois de por muito ser rei

Em si, grande alegria
Já sabiam que traria
Quando escolhido nome

Tendo de música fome
Reclamou de um cassete
E mostrou-se competente
Trazendo mais um futuro

Hoje nos deixa de luto

Deixando um forte vinco
Depois de apenas cinco
Ter tornado antiquado
O até então usado

Longa vida a Norio

sábado, 23 de abril de 2011

Por Um Melhor Renascer

Se eu sou mesmo livre,
Por que eu ouço tanto
Dentro do trem berrando?

Se eu sou mesmo livre,
Por que vivem dizendo
Que só há um me vendo
Mesmo fora dum templo?

Se eu sou mesmo livre,
Por que preciso ouvir
Que estou a destruir?
Por que todo o rugir
Contra o outro agir?

Se eu sou mesmo livre,
Por que o alvoroço?

(Se) eu sou mesmo livre... (?)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Neves de Mal Porte

O urubu tem fome
E vê chegar a morte.
E não tendo por onde
Ele tenta a sorte...

O que o replay expõe,
Um pé queaponta norte,
E outro que se opõe.

O que replay esconde
Se vê em outro corte.

E neves passam longe
Do que seria porte
Bem visto por um monge,
Fazendo um fiorde
Carregando prum onde.

Mero medo da morte.

Ad Processum

Quarenta escaparam.
Quarenta seesconderam.
Quarenta que deixaram
A todos nós querendo.

Querend'uma resposta.
Querendo revoltosa
Uma nação segura

Segura ad' processum.
Segura iudicium,
Mas, não ad exhibendum
Feita fora do forum.
Somente dentro deste.

Este é o problema
Do corpus dos quarenta





20/04/2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

É Bela

É Bela
Aquela:

Qu’é fera
Quand’ela
Precisa.

Que peca
Pois vela,
Mas nega
Fogosa.

Eespera,
Pois ela
Não quer já-
Mais ser lá
Intrusa.





15/04/2011. Feliz Aniversário, Isa!
Muitas Felicidades!!!
Muitos anos de vida!!!!!
Muitas Exclamações!!!!!!!!!!
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Um Mês Depois de Anos

Foi um mês apenas.
Pareceu centenas.

Repete a rima

Tremores e ondas,
E a costa sondas,
Com medo dessa luz
Que chega ao seu capuz...


Cabeças dy avestruz
Que usam de vil luz
Pois cada um quis luz.

E água derrama
Contra essa chama.
Teme pronde ruma,
Mas não salva onda
O que outra tomba.





 Dia 11 de Abril de 2011, aniversário de 1 mês do terremoto que começou a tragédia no Japão

Na Primeira Sala do Primeiro Andar

Em Tasso da Silveira
Fez-se um capítulo
Que levou-nos às beiras
Com o qu’é novíssimo,
Pela sua maneira.

Ficam várias crianças
A beira do abismo,

Pelas suas vis crenças,
Pelo seu fanatismo...
Sacrifícios à onça.

Pois na primeira sala
Desse andar primeiro,
Foi deixado antes lá
Branco lençol inteiro...

Junto com sua alma.





Soneto escrito depois da tragédia de Realengo

A Passagem por Rito

Eu ouço tanto grito
E penso qu’estou frito

No meio do agito
Formado neste rito
Popular contr’o “fico”
Qu’é igualmente dito.

Ignorando isto,
O pobre e o rico,
O pai, a mãe, o filho,
Em casa e mendigo
Dizem que é ridíc’lo

Impasse infinito,
Até rima do lido
Ter faraó ‘scolhido.





Soneto escrito depois da revolução no Egito

Nuvem sobre Fevereiro

Não foi um cogumelo,
Mas foi negra e espessa.

Muito do cultivado
Se perdeu sem a chuva.
Desesperadamente,
Jogam lágrimas no ar
Quem acordou no lugar

E nós não julgaremos...

O que será cantado?
Num dia as avessas,
Em um barracão quente,
Não se tem como cantar

Mas cada pro seu lado,
Irão num mês de pressa
Fantasiar presente.





Soneto escrito depois do incêndio na Cidade do Samba

800 Tijolos



Nas costas das montanhas
Em casas pequenas, bambas
Vivem a vid’e o samba
Homens, mulheres, crianças
Que nadarão pela lama

A lama que desce forte
Que só para pela sorte
Pela falta de um muro
Contra o tormentar puro

Os que sobrevivem irão
Gritar contra inundação

E tudo o que mudarão
Oitocentos tijolos são
De massa vermelha em vão.





Soneto  escrito depois da tragédia na Região Serrana.

Eis o Soneto Brasileiro

Fluido é o soneto que
Permite ao poeta ter
A escolha na forma e,
Sem forçar conta ou rima,
Manterá as suas quatorze.

Sem denegrir a escolha
Daqueles que gostam d’outra,
Mas dando-lhes opção nova.

o impondo alta língua,
Mas usando toda língua.
Sem impor uma origem,
Seja tal país ou bairro.

Fale das terras de outro
Ou das terras em que nasceu.





Bem, a primeira postagem é só para explicar o que é essa forma.
O Soneto Brasileiro é uma forma que criei a partir das 14 linhas dos sonetos clássicos, cuja regra é apenas as seguintes:

1) As 14 são divididas em estrofes de 5, 4, 3 e 2 linhas, podendo haver uma estrofe adicional de 1 linha. Por que isso? Porque permite mais controle sobre o fluxo do poema. O autor pode então criar uma progressão de uma idéia mais direta a uma mais desenvolvida ([1] 2 3 4 5) ou da mais desenvolvida a mais rápida (5 4 3 2 [1]), dividir o poema em 2 partes semelhantes (5 e 2, [1,] 4 e 3) ou três se houver a estrofe de uma linha (5, 4 e 1, 3 e 2), ou ainda criar um desenvolvimento similar ao dos sonetos clássicos, seja o italiano (5 e 3, 4 e 2), seja o inglês (5 4 e 3, 2), ou qualquer outra forma  de organizar as estrofes.

Qualquer outra regra, seja quanto ao esquema de rima, ou mesmo sua existência, quanto a escolha da linguagem e do tema, quanto a ordem, etc, fica a cargo do autor. Assim, a forma permite que sejam feitos poemas mais livres, ou poemas mais regrados, mais próximos dos sonetos clássicos.